No momento em que Marcelo Branco enfrenta uma crise de credibilidade pelo trabalho que vem conduzindo à frente da presença de Dilma Rousseff na internet, as atenções do público voltam-se, naturalmente, para o modo como os presidenciáveis vêm ancorando tais ações. A polêmica que envolve Branco com os casos de Norma Bengel, do programa Fala Dilma e da suspeita de que ele seria desligado da campanha petista já foi resultado de uma alta expectativa que o brasileiro conectado nutre pela atuação dos candidatos às Eleições deste ano nos meios digitais.
Após a escola de Obama, os grandes partidos não hesitaram em recorrer aos tais “especialistas em mídias sociais” para projetar seus candidatos. Ocorre que se trata de uma falácia: como algo tão recente e ainda sem modelos amplamente aprovados já pode ter “especialistas”? Há, lógico, os hard users com visões direcionadas ao seu campo de trabalho. Por exemplo, o profissional de marketing que mergulhou nos ambientes de UGC e, portanto, descobre, por meio de experiências constantes, o que pode ou não dar certo em espaços onde quem manda é o público.
Esse “detalhe” sobre quem realmente está no comando das mídias sociais por vezes passa despercebido entre aqueles que auto-intitulam ou são batizados de “especialistas”. Ora, quem ganha para fazer buzz em redes sociais deve ser o dono da bola, não? Não.
Um dos aspectos mais fortes das mídias sociais é a naturalidade que emerge deste comando que está nas mãos do público. Conviver no Orkut ou sentar num boteco já faz pouca diferença. Usar o YouTube também já parece tão natural quanto ir pro trabalho todos os dias.
E foi essa naturalidade que Marina Silva soube expressar no vídeo que tubou no dia 7 de maio, às vésperas do Dia das Mães. Em pouco mais de 2 minutos, com uma voz tremendamente rouca e diante de um cenário aparentemente despreocupado, a pré-candidata do PV leu um poema que ela mesma escreveu à família. A referência maior é aos filhos, especialmente à menina que ela deu à luz em um domingo de Mães.
Os cortes suaves e os olhares fugidios de Marina para trás da câmera denotam que ali houve, sim, um trabalho de edição e de preparo compatíveis a um vídeo caseiro, com direito até a “tremidinha” acidental de câmera. Mas nada de teleprompter, de luzes de estúdio, de forçação de barra.
Marina não falou de política neste vídeo, mas sabe que o eleitor-habitante das mídias sociais não quer apenas discurso de campanha.
Estamos na era da transparência inevitável e o universo “real life” pulou os muros do Big Brother para projetar tendências na política. Simples assim.
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Ana Brambilla
Blog da equipe de Mídias Sociais do Terra, de olho no uso das redes de relacionamento nas Eleições 2010.
