Quando vemos o frenesi pelas redes sociais em que estão os pré-candidatos às Eleições no Brasil, logo relacionamos: “O Obama fez escola”. E parece ter feito mesmo. Mas quem garante que as estratégias que fizeram sucesso nos Estados Unidos de 2008 repitam o mesmo êxito no Brasil de 2010?
Diminuindo esta distância de realidades, as experiências com mídias sociais em eleições na Colômbia já mostram um cenário diferente, uma postura mais crítica, ponderada do uso destas plataformas. Menos confete, menos cópia. Mais reflexão. Talvez, mais compatibilidade com o contexto brasileiro.
No começo deste ano, Antanas Mockus era o último candidato nas pesquisas de intenção de voto. Três meses e mais de meio milhão de seguidores no Facebook depois, o candidato “Independiente” se coloca como o mais provável sucesso de Álvaro Uribe.
Assistindo à ascensão do concorrente, Juan Manuel Santos pautou seus estrategistas de campanha a explorarem redes sociais. Foi aí que o candidato “oficialista” pulou de 20 mil para 168 mil seguidores no Facebook no intervalo de um mês.
O resultado até parece bom para Santos, mas no quesito “mídias sociais”, seu desempenho eleitoral não deve ir muito longe. Ricardo Galán, responsável pela campanha do “oficialista”, afirmou ao jornal Clarín que sites de relacionamento não são as melhores ferramentas para o seu cliente. O eleitor de Santos estaria, na visão de Galán, mais presente na TV, no rádio, nos meios impressos. Daí fica a pergunta: e a busca por novos públicos? Isso não parece preocupá-los.A campanha de Mockus nas mídias sociais pode estar dando tão certo porque seu eleitor é mais jovem, mais conectado. Isso justifica plenamente o uso destas plataformas, uma vez que o próprio público se responsabiliza por ancorar as ações. E esse é um quadro que ainda não vimos no Brasil. Enquanto os presidenciáveis se viram do avesso para ganhar notoriedade nas mídias sociais – às vezes até pecam pelo excesso! – o que se viu até agora foram manifestações oficiais no Twitter, em blogs, no YouTube, no FormSpring, no Flickr. Sim, válido. Mas o público, que é o grande legitimador destas ações, ainda não assumiu a frente das representações dos pré-candiatos brasileiros nas redes.
Uma estratégia oficial de mídias sociais dá realmente certo quando deixa de ser oficial e passa a ser um espaço do usuário. Foi o que aconteceu com Mockus, vide as manifestações espontâneas de simpatizantes no seu mural do Facebook.

Cerca de 50% dos 45 milhões de colombianos usam a internet. Da outra metade, quase toda vive no campo, o que torna a efetividade das ações online mais difíceis. Ainda assim, a escola do Prof. Obama parece dar um bom eco por lá. Acontecerá o mesmo aqui no Brasil?
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Ana Brambilla
Blog da equipe de Mídias Sociais do Terra, de olho no uso das redes de relacionamento nas Eleições 2010.
