Eleições 2010

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jun
24

Campanha em mídias sociais depende de engajamento prévio

Publicado às 18:34 0 comentário
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O impacto das eleições nas mídias sociais pautou as discussões no painel central da tarde desta qunta (24), do seminário Social Media Brasil, evento organizado pelo Media Education no Teatro Frei Caneca em São Paulo.

Marcelo Vitorino, da Talk Interactive, abriu as atividades fazendo um paralelo entre  o uso das mídias sociais nas eleições norte-americanas, em 2008, e o fenômeno que se espera para a campanha deste ano, aqui no Brasil.

Algo descrente no boom que isso pode causar, Vitorino lembrou que a polarização estadunidense, na forma de apenas dois partidos, se dissolve quando o Brasil é um país pluripartidário. “Se você não tem história, não vai ganhar eleição, não. O Obama ganhou porque ele usou as redes sociais para potencializar a sua história”, analisa Manoel Fernandes, da Bites.

Outro ponto que distancia consideravelmente a realidade brasileira daquela que vive o país de Obama é o forte hábito de usar cartão de crédito em compras online. Ainda que os índices de e-commerce aumentem no Brasil, aquele “receio” que algumas pessoas ainda têm ao digitar o código de segurança de seu cartão em um site pode restringir o montante de microdoações online aos candidatos.

Responder ou não responder a uma provocação do público via mídias sociais foi um dos desafios abordados pelo grupo. Soninha Francine (PPS) comentou a importância da resposta para o posicionamento do político, especialmente quando são apontados de forma pejorativa pela comunidade. As redes sociais são um dos principais canais (senão o principal) para trabalhar o gerenciamento de uma crise de imagem.

Fernandes foi campeão de menções ao afirmar perante uma trupe de twitteiros que internet não ganha eleição, mas constrói percepções. Falar diretamente com o público e não depender mais da militância é um dos diferenciais que Vitorino percebe no uso destas plataformas pela política. Claro, essa proximidade não se cria da noite para o dia. Soninha lembra que pode não ser produtivo ao candidato das eleições deste ano se engajar nas redes só agora. É preciso já habitar estas redes rotineiramente.

Internet não é televisão, a métrica não é quantitativa, lembra Rafael Oliveira, da Rede Mobiliza PSDB. Internet é onde se debate, onde se conquista um cabo eleitoral que vai disseminar sua proposta para as massas, concorda Soninha. Oliveira acredita que uma eleição pode se decidir em um boteco, reafirmando o valor da fragmentação e dos microgrupos da rede. “Senão nós brigaremos para ter a audiência da TV”, contrapõe.

Ao ser perguntada sobre o quanto se sente exposta no Twitter desde que mergulhou na gestão pública, Soninha disse que, na política, assim como em outras áreas feito a música ou o futebol, os posicionamentos mais apaixonados são tomados por “torcidas organizadas”, cujo problema é o exagero dos gestos. Mas cada político vai reagir como achar melhor. É importante responder ao público para esclarecer informações falsas que estejam circulando, especialmente na forma de spams. “Mas tem gente que nem liga, podem falar o que quiser”, pondera.

Na Colômbia, a derrota do candidato com melhor trânsito nas redes sociais, Antanas Mockus, sinalizou que a realidade do país pode ser implacável nas urnas, mesmo diante de uma ação superpoderosa de relacionamento com o eleitor.

E no Brasil, como será? Estamos mais para Estados Unidos ou mais para Colômbia?

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Ana Brambilla