Que as mídias sociais viraram palanque eleitoral, ninguém duvida. O que nem todos esperavam é que os políticos se apropriassem de espaços privados nas redes para fazer campanha. É o que o político Beto Albuquerque, candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, vem fazendo no Twitter. Sua assessoria manda propaganda eleitoral por Direct Messages - tweets que só pode ser lidos por quem recebe a mensagem.
Ficamos sabendo da prática porque a twitteira @anemeira, que segue o candidato, reclamou na sua timeline:
Os dois perfis citados por @anemeira são contas oficiais da campanha de Beto Albuquerque, que ainda conta com o perfil @betoalbuquerque - que seria atualizado pelo próprio usuário. Além de retwittar as mensagens de Albuquerque, os perfis mandam Direct Messages com notícias que falam de ações positivas do candidato.
Para saber qual o conteúdo dessas mensagens privadas, passei a seguir os três perfis. Em menos de 48 horas, recebi as primeiras DMs (como são chamadas as Direct Messages). Para a minha surpresa, não veio apenas uma, mas 31 mensagens privadas dos mesmos dois perfis denunciados por @anemeira (30 de um e um de outro). O detalhe não menos importante é que as mensagens tinham o mesmo conteúdo.
Como as mensagens foram enviadas no mesmo horário, pensei que o problema tivesse sido ocasionado por causa de um erro na hora de enviar a mensagem. Por isso, mandei um tweet a um dos perfis, perguntando se teria ocorrido algo. No entanto, o perfil jamais me respondeu - e sequer apagou as Direct Messages.
De acordo com as regras do Twitter, você só pode enviar uma Direct Message a pessoas que seguem o seu perfil. No caso dos dois perfis de apoio a Beto Albuquerque que me enviaram as mensagens privadas, não houve retribuição de following. Isso quer dizer que eu não poderia responder pela mesma via, o que vai contra a lógica de uma rede social.
Efetivamente, é uma forma eficaz de fazer publicidade, já que boa parte das pessoas que usa Twitter recebe a mensagem privada diretamente no e-mail. Mas como mostra o recado no começo do post de @anemeira, invadir os espaços privados da internet com informações que interessam a apenas uma das partes pode banalizá-lo.
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Filipe Speck



Blog da equipe de Mídias Sociais do Terra, de olho no uso das redes de relacionamento nas Eleições 2010.
