Há quem considere uma atividade inglória. Outros, cidadã. O fato é que os mesários, que já estão nas zonas eleitorais de todo o Brasil para trabalhar no segundo turno das eleições deste domingo (31), aproveitaram o café da manhã para tuitar.
A quantidade de mensagens com a hashtag #mesario foi tamanha que, pouco antes das urnas abrirem, às 8h, o termo entrou nos Trending Topics do Twitter. E teve gente impressionada com a quantidade de mesários Brasil afora.
José Maria Eymael parece não querer perder nenhum seguidor em seu Twitter. O pré candidato à Presidência pelo PSDC passou boa parte do início da tarde desta segunda-feira trocando replys com usuários em seu microblog.
O curioso foi que a resposta enviada era quase automática, já que todos replys continham o mesmo texto.
Ficou claro que Eymael está atrás de engordar sua lista de followers. A gente até entende que, nas redes sociais, o contato é mais personalizado. Mas que personalização é essa que só muda o nome e a mensagem segue igual pra todo mundo?
Outra: quem já é seguidor de Eymael deve ter se cansado de receber todas essas mensagens… ou o remetente imaginou que apenas os sujeitos pós-@ iriam recebê-las?
No momento em que Marcelo Branco enfrenta uma crise de credibilidade pelo trabalho que vem conduzindo à frente da presença de Dilma Rousseff na internet, as atenções do público voltam-se, naturalmente, para o modo como os presidenciáveis vêm ancorando tais ações. A polêmica que envolve Branco com os casos de Norma Bengel, do programa Fala Dilma e da suspeita de que ele seria desligado da campanha petista já foi resultado de uma alta expectativa que o brasileiro conectado nutre pela atuação dos candidatos às Eleições deste ano nos meios digitais.
Após a escola de Obama, os grandes partidos não hesitaram em recorrer aos tais “especialistas em mídias sociais” para projetar seus candidatos. Ocorre que se trata de uma falácia: como algo tão recente e ainda sem modelos amplamente aprovados já pode ter “especialistas”? Há, lógico, os hard users com visões direcionadas ao seu campo de trabalho. Por exemplo, o profissional de marketing que mergulhou nos ambientes de UGC e, portanto, descobre, por meio de experiências constantes, o que pode ou não dar certo em espaços onde quem manda é o público.
Esse “detalhe” sobre quem realmente está no comando das mídias sociais por vezes passa despercebido entre aqueles que auto-intitulam ou são batizados de “especialistas”. Ora, quem ganha para fazer buzz em redes sociais deve ser o dono da bola, não? Não.
Um dos aspectos mais fortes das mídias sociais é a naturalidade que emerge deste comando que está nas mãos do público. Conviver no Orkut ou sentar num boteco já faz pouca diferença. Usar o YouTube também já parece tão natural quanto ir pro trabalho todos os dias.
E foi essa naturalidade que Marina Silva soube expressar no vídeo que tubou no dia 7 de maio, às vésperas do Dia das Mães. Em pouco mais de 2 minutos, com uma voz tremendamente rouca e diante de um cenário aparentemente despreocupado, a pré-candidata do PV leu um poema que ela mesma escreveu à família. A referência maior é aos filhos, especialmente à menina que ela deu à luz em um domingo de Mães.
Os cortes suaves e os olhares fugidios de Marina para trás da câmera denotam que ali houve, sim, um trabalho de edição e de preparo compatíveis a um vídeo caseiro, com direito até a “tremidinha” acidental de câmera. Mas nada de teleprompter, de luzes de estúdio, de forçação de barra.
Marina não falou de política neste vídeo, mas sabe que o eleitor-habitante das mídias sociais não quer apenas discurso de campanha.
Estamos na era da transparência inevitável e o universo “real life” pulou os muros do Big Brother para projetar tendências na política. Simples assim.